Na Igreja, cada instituto possui uma identidade própria, que constitui o carisma: um dom que é fruto do Espírito Santo para a vocação das pessoas daquele movimento, como uma resposta de Deus às necessidades do mundo. É a união dos múltiplos carismas, cada um com sua identidade, que forma o Corpo do Cristo, a Igreja.

A partir dos sinais de Deus ao longo de sua história, a Obra Lumen de Evangelização reconhece que o carisma que lhe foi confiado é o de ser luz para o mundo, levando a alegria de ser de Deus para a humanidade. Da forma como o Espírito Santo nos inspira, “de dentro para fora”, somos chamados a evangelizar, convidando todos a retornarem à liberdade dos filhos de Deus

A revelação do carisma permitiu aos membros da comunidade o entendimento daquilo que já viviam. Aos poucos, eles foram tomando posse desse chamado e fazendo com que mais pessoas se identificassem com essa vocação. Os membros Lumen reconheceram-se por meio daquilo que lhes era mais comum e que os tornava valiosos instrumentos de evangelização: o louvor, a adoração com a vida e a ação social.

Passagem de Fundação

“Assim brilhe a vossa luz diante dos homens para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem ao Pai que está nos céus” (Mt 5,16)

Deus presenteou-nos com um carisma e confiou-nos uma importante missão de evangelizar mesmo diante de situações em que, muitas vezes, prevalecem as trevas. Deu-nos, ainda, o propósito dessa missão: para que os homens vejam as nossas boas obras e sejam capazes de dar glórias ao Pai.

Nosso chamado é o de ser luz por meio das nossas obras: nas pequenas coisas, nos pequenos gestos, na maneira de olhar, de pensar, na maneira pela qual falamos com as pessoas, nas nossas atividades diárias, nos relacionamentos com os amigos e entre os nossos familiares.

Mistério Cristológico

O mistério cristológico de uma comunidade refere-se ao aspecto da vida de Jesus em especial com que essa comunidade se identifica e que se sente chamada a imitar em sua vivência. No caso da Obra Lumen de Evangelização, consideramos nosso mistério cristológico como a Encarnação de Jesus, conforme contemplamos no Prólogo do Evangelho de São João:

 “[O Verbo] era a verdadeira luz que ilumina todo homem. […] E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.” (Jo 1,9.14).

 Assim, tornando presente a celebração do Santo Natal em nosso cotidiano, assumimos a alegria desse acontecimento de luz e unidade. Buscamos também assimilar os mesmos sentimentos e atitudes de Jesus no seu despojamento, pobreza e humildade, demonstrados na Noite Santa em que os Anjos glorificavam a Deus e o céu unia-se à terra.

Mistério Cristologico

Manifestações do Carisma

Ao longo de nossa história, esse carisma de ser luz, tendo a Encarnação do Verbo como nosso grande impulso e referencial, manifestou-se por meio de três grandes expressões:

Louvor

Sentimo-nos impulsionados a assumir, nas pequenas e nas grandes ocasiões, a mesma atitude de louvor e alegria demonstrada pelos Santos Anjos na noite do nascimento de Jesus. Trata-se de uma alegria que não passa, pois é alicerçada no próprio Deus, nossa casa firme, eterna e inabalável. Ele é nossa meta, nosso amor e, por isso mesmo, a razão de nossa alegria, que se manifesta com músicas, danças, sorrisos e, acima de tudo, por meio de uma fraternidade verdadeira.

Além disso, quando falamos de louvor, é impossível desprezarmos o grande louvor que é a Santa Missa. Afinal, Eucaristia quer dizer “ação de graças”, isto é, louvor! O grande louvor de Cristo no Santo Sacrifício é Sua total entrega de amor pelo Pai e pelos seus. Aprendemos com Jesus, que faz de si mesmo uma oblação sem medidas, que a chave da autêntica felicidade está na coragem de fazer de nossa vida um dom de amor, de serviço, de comunhão. De certo modo, somos chamados a ser como que Eucaristia para o mundo, cientes de que é mais feliz aquele que faz o outro feliz. Por isso, somos consagrados ao Coração Eucarístico de Jesus.

Adoração com a vida

No contexto do grande acontecimento que foi o Natal do Senhor, encontramos, nos três Reis Magos, a primeira atitude explícita de adoração a Jesus relatada pela Sagrada Escritura:

“Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram.” (Mt 2,11)

Conscientes de que a presença do Salvador nos acompanha a cada instante, somos chamados não apenas a termos momentos específicos de adoração ao Verbo, mas a fazermos de toda a nossa vida um ato de adoração a Deus. Afinal, nossa luz é apenas um reflexo da verdadeira Luz, que é o Cristo Encarnado.

Adorar é reconhecer sinceramente a divindade e o senhorio da Santíssima Trindade, e é isso que fazemos de forma privilegiada pela vivência concreta do amor. Assim, acreditamos que um pequeno gesto de amor pode ser um ato sublime de adoração. Pela vivência da caridade, damos de nós mesmos ao Senhor. Não apenas ouro, incenso e mirra, mas a nossa vida ornada com a mais preciosa das joias: o Amor.

Ação Social

A alguém que tem a experiência de encontro com o Cristo do presépio, ladeado por Maria, é impossível acostumar-se com o desprezo, a tristeza, a solidão e o ódio. Um dos frutos característicos de um autêntico encontro com Jesus é a saída de si mesmo, do próprio comodismo e indiferença, em busca do outro, particularmente daqueles onde encontramos o Cristo crucificado e abandonado:

“Todas as vezes que fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.” (Mt 25,40)

Jesus quis identificar-se com os pobres, com os abandonados, com os menos amados. Por isso, sabemos que podemos encontrá-Lo ali, no irmão sofrido, na pessoa desprezada, sem esperança. Ali encontramos as marcas de sua paixão. E essa verdade nos inspira a uma escolha preferencial pelos pobres, na busca por restituir-lhes não apenas o pão, mas sobretudo o amor.

Entendemos, portanto, que ser luz também implica amar os menos amados, servir como Jesus na Santa Ceia, reparar as dores do Salvador com nossa disponibilidade e despojamento. Como nos ensinou São Francisco, na procura por amar mais que ser amado, somos felizes fazendo o outro feliz.

Entendemos ainda que se faz urgente a conversão e o empenho necessários para a construção da Civilização do Amor. Para tanto, somos cientes de que a graça e a providência divinas não nos faltarão.